RIFLES

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Rifles

Translated by Andrew Michael Brown

The firing squad is in place for the new government’s first execution. There’s a festive atmosphere in the crowd, and national media’s live-streaming of the event is also available to spectators at home. We haven’t watched a public execution in 142 years, since 1876, back when the slave Francisco was hanged in the town of Pilar in Alagoas state. Now, it’s a different method. Handsome imported rifles will put down this traitor to fatherland and family values, a short and frightened little fellow accused of writing criticisms of the government’s improprieties. The public supports it and that’s all that matters, the new President announced to a press corps readied for the spectacle. Corporate sponsors include a cosmetics company and a bank.

During the week, through consistent announcements, the media covered the upcoming execution with a certain sobriety. But gradually, as the audience grew larger than expected, livelier spots began to emerge, like ads for football and Formula 1.  On TV news shows, reports profiled family and friends of the soon- to -be- deceased, and,  despite their sadness, expressing optimism for the government’s innovative ways of directing people to respect authority and preserve traditional values.  “It just couldn’t stay the way it was,” noted the defendant’s mother, an enthusiastic supporter of the new regime.  In a show of patriotism, she didn’t shed a tear.

Fuzis

O pelotão de fuzilamento está a postos para a primeira execução do novo governo. Há um clima de festa na plateia e os telespectadores também poderão acompanhar o evento transmitido em cadeia nacional. Desde 1876, há 142 anos, não víamos uma morte pública, demandada pelo Estado, quando o negro Francisco foi enforcado no município de Pilar, em Alagoas. Agora, o método é outro. Belos fuzis importados abaterão o traidor da pátria e da família, um sujeito assustado e baixinho, acusado de escrever impropérios contra o governo. O povo apoia, é o que interessa, disse o novo presidente a uma imprensa já preparada para o espetáculo. Os patrocinadores são uma empresa de cosméticos e um banco.

Durante a semana, em chamadas regulares, a TV anunciou o fuzilamento com certa sobriedade. Mas aos poucos surgiram vinhetas mais animadas, como nos anúncios sobre futebol e Formula-1, pois a audiência tem sido acima do esperado. Nos telejornais, matérias com a família e amigos do futuro morto que, apesar de tristeza, viam na medida governamental uma forma inovadora de conduzir o país dentro de padrões de respeito à autoridade e preservação dos bons costumes. Não dava para ficar do jeito que estava, observou a mãe do réu, eleitora entusiasmada do regime recém-inaugurado. Numa demonstração de patriotismo, ela não chorou.

Additional editing by Helena Cavendish de Moura